15 de dez de 2009

Boas doses de machismo, óculos escuros e reflexão


Dentre as tantas invenções que o ser humano foi capaz de arquitetar, os óculos foram sem dúvida uma das mais geniais. Quem imaginaria John Lennon sem seus pequenos e redondos óculos ao lado de Yoko? Quem consegue visualizar Marcelo Nova, Cazuza, Bob Dylan ou Audrey Hepburn sem seus wayfarer tão populares na contemporaneidade da moda? Quem imagina o Jô sem suas curiosas armações? E o espalhafatoso Elton John, com sua coleção de mais de 4000 pares de lentes envolvidas por aramezinhos que valem milhões? Ray Charles, então, nem se fala, não é mesmo? O fato é que dentre todos esses estilos e eficácias que a criação nos trouxe, nada foi mais válido que os óculos escuros.

Quem seriamos sem essas lentes opacas que nós permitem observar sutilmente o mundo sem sermos observados? Afinal, nossos olhares é que nos denunciam na imensa maioria dos casos. Olhar aquela deusa com um biquine de uma polegada e meia de bruços bronzeando seus dotes de destoar a postura do mais sofisticado e célebre homem, seria possível? Quem de vocês, leitores, homens ou mulheres, nunca usaram deles para esse fim? Isso quando não somente os usam nessa intensão! Não se envergonhem, é natural.

É algo inegavelmente fantástico, uma das maiores invenções do mundo moderno! Como disfarçar a ausência do colírio ao chegar em casa naqueles momentos? Como fingir estar acordado no fundo da sala enquanto o professor fala mil babozeiras que você já está careca de saber? Como olhar quando se está ao lado da “amada” e passa aquela exuberância lhe mirando de cima-em-baixo e você não nega uma nesga de riso no canto da boca? E encobrir os olhos rochos depois da briga, noite passada no boteco por conta do jogo de futebol? E Matrix? Seria o mesmo sem aqueles seres equipados, com suas lentes representado o futuro? Raul teria criado um de seus maiores hits, criticando acidamente a alienação sem a influência desses pares armados de vidro escuro? E tantas, e tantas outras inúmeras situações embaraçosas em que nos metemos...?

Sejam elas de “prástico” ou de alta tecnologia Transition, compradas ali na esquina ou na mais sofisticada loja, reluzentes ou opacas, grandes ou pequenas, pretas, brancas, azuis, amarelas, vermelhas, estilo "casco de tartaruga" ou tipo "bezourão"... Viva as foscas lentes que nos servem!

por
Toni Caldas

2 comentários:

  1. É pra ser sincera???

    Seu Blog está cada vez melhor!!!

    Parabéns,

    ''Antôonio Heleno!!''

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