16 de dez de 2009

Noite na taberna


Distraio-me e vejo aquelas magnânimas curvas nas quais transo em mil visões em meio a uma madrugada fria de novembro. Uma boca onde as dimensões do real e imaginário se concretizam com um simples, largo e singelo sorriso. Você se aproxima de mim achando ser apenas mais uma. Com cabelos sedosos cheirando de frutas doces em um vermelho dégradé como chamas incesantes. Tigresa... porque insiste em amarrar este tolo com estes olhos inocentes e profundos nos quais morro afogado, cheio de prazer e graça ao som do mais elegante tango?

Enquanto segura minha mão direita e me diz as mil impressões sutis e puras que tem de mim, percebo o quão vil sou eu ao imaginar tamanhas vertigens fantásticas, impetuosas e acima de tudo, epicenas com seu corpo escultural. Qual seria a sua forma nua? Recuso-me a imaginar. Por mais que o descubra em pequenas cenas do seu corpo creio estar enganado pelas lentes sujas dos meus óculos e por minha mente sem escrúpulos. Sei que você é o que é, existe e posso tocá-la. Só não sei no fim de tudo se as visões que tenho cabem a mim ou a este par de vidros embaçados. E à noite, aquela última dose de uísque e os cigarros me abraçam e acalentam com braços fortes como os seus, me fazendo lembrar de não te esquecer, enquanto outra chega silenciosamente e me adormece com um leve sopro.

por
Toni Caldas

3 comentários:

  1. Muito bom o texto. Viciei. Linkei no meu, e visitarei mais vezes!:)

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  2. Ficaria "chato" se eu comentasse todas as suas palavras?
    na verdade é quase impossível comentar...a reação é muito mais viva ....estou impressionda, e viciei também, todos os dias passo por aqui e me sinto forte e + artista.

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