9 de jan de 2010

As dez luzes


Saio à rua e perambulo sem rumo. Alcanço um ponto alto da cidade após a subida de uma íngreme ladeira, a qual jamais seria capaz de imaginar que chegaria à pedaladas na minha velha e fiel bicicleta, que sem reclamar descanso para si me acompanha todo tempo. Encontrei-me em um bar ao lado de um velho de barba crespa e comprida e a fumar um grande charuto, logo depois em uma praça, com crianças a posar para fotografias com sorrisos e gestos alegres, e lá, bem ao canto, um louco cantava canções antigas e arranhava sua garganta ao gritar o seu refrão. Mas o que mais me envolve é uma viela onde, sentado a rabiscar essas linhas, uma bela morena de vestido longo e negro assim como o céu que ostentava aquela noite, que passa e me encanta com seu perfume doce em confronto com o odor fétido da urina que tomava conta de todo o ambiente ao meu redor. Impressionante! Como sair sem destino nos leva a lugares inusitados... Desde um bar a meia luz e um bom papo com aquele camarada o qual não via a vários dias, até a cama quente que acalenta meu corpo como se já estivesse dormido ali por mil noites, e mil noites, e mil noites... Mas agora estou em casa e as dez circulares luminárias que avisto da minha janela são nesse instante o meu fascínio...

por
Toni Caldas

2 comentários:

  1. Novamente deixando minha marca, aconselho o antigo Solar em São Félix... Bem no alto e com um velho caseiro um pouco surdo que nunca nos deixa entrar. O barato taí, o desafio de chegar até lá!!! hehehe. Recomendo, com cautela, claro.

    AH, e tem uma vista MARAVILHOSA das duas cidades.

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  2. "...e me encanta com seu perfume doce em confronto com o odor fétido da urina que tomava conta de todo o ambiente ao meu redor..."

    Quanto detalhe e sinestesia!
    Gostei ;)

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