17 de fev de 2010

Fixação

Cada pulsar é único. Um bater do seu coração jamais poderá ser capturado por mim. Não há recipientes nem mesmo dimensões que possam medi-lo. Enquanto aguardo outro movimento do sangue que corre em seu corpo, folhas caem, estações transmutam, a poeira se torna acúmulo sobre os antigos móveis e livros amarelados, insetos infestam minha casa. O tempo indiscreto me força a permanecer estagnado sob um jardim suspenso de flores murchas. Fecho os olhos, mas através das pálpebras lisas a luz penetra tentando me fazer lembrar que o tempo é vagaroso. A chuva, as vozes, o ar rarefeito e tudo mais compilam em um concerto. Pássaros voam em círculos. Agora pararam no ar, posso ver suas sombras no chão e só por isso já sei que são negros e que amam a noite híbrida e escura como eles, livres seres a bailar. Sinais, antenas e ondas se misturam à orquestra estridente e me provocam com seus ecos de luz enquanto meus pêlos congelam diante do rígido frio de uma nevasca. Agora é verão, o gelo derreteu, o calor é insuportável e meu corpo imóvel. Mas não vou abrir os olhos enquanto o próximo pulsar não acontecer...

por
Toni Caldas

5 comentários:

  1. Olha pra Toni...
    Jogou duro!
    Adorei, o blog está ótimo.
    Beijos

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  2. Uau!
    Palavras corretas em tempo exato.
    Li e estive na cena, que por sinal me deixou admirada, ouso-me mais: admiradíssima!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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