11 de fev de 2010

“Oba-oba” sem razão...

Celebremos! "Estamos em tempo de comemoração!”. O muro de Berlim foi abaixo e o mundo inteiro festejou. “Vinte anos sem aquela terrível barreira! Mais uma vitória da humanidade sobre as injustiças!”. Ânimos acalmados? Ok, vejamos agora um pequeno detalhe em toda essa festança: Ao que tudo indica, as pessoas se esqueceram, se omitiram conscientemente ou nem mesmo sabem de uma coisa, uma grande e extensa coisa, por assim dizer: a existência do não menos brutal “muro americano”.

Por que será que todo mundo – literalmente – fica indiferente a esse vergonhoso muro? Não sabia da existência dele? Pois bem, depois da divisão das duas Coréias, do muro alemão e do betão na Palestina, chegou a vez dos Estados Unidos da América aprovar no senado a construção de um muro ao longo da sua fronteira com o México, para assim poder deter a imigração ilegal – informação idosa, mas válida, pois este ato teve resolução e aprovação no ano de 2006. Mais um excelente exemplo de como a “américa” – e com “a” minúsculo – olha para nós Americanos – esses sim merecem um maiúsculo. ("Perdoe-me, ó sacra Gramática!")

De qualquer ponto em que se esteja em Tijuana se vê o paredão metálico de cinco metros de altura. O mesmo acontece em Mexicali, Sonoita, Nogales, Agua Prieta, Ciudad Juarez, Ojimaga, Ciudad Acuña, Piedras Negras, Nuevo Laredo, Reynosa e Matamortos. Ao todo são mais de três mil quilômetros de chapas de ferro e cimento, postes com luzes, câmeras e sensores eletrônicos. Do outro lado, o mundo livre.

Segundo um estudo da Universidade de Houston, entre 94 e 98 pelo menos 1200 imigrantes morreram na tentativa de cruzar a fronteira e despistar a maldita “migra”. Muito menor, por exemplo, foi o número de pessoas mortas tentando atravessar o não menos monstruoso muro de Berlim - pouco mais de 800 em cerca – e com muita “cerca” – de 30 anos. E você, o que acha? Continua tão contente pela queda do muro germânico? Busque então saber o que os alemães do lado socialista acham disso e como eles vivem atualmente. Adianto que igualdade por lá também continua sendo um belo e distante conto-de-fadas.

por
Toni Caldas
( Devido a falhas no sistema, posto novamente este texto - originalmente postado em novembro/09 - no intúito de abrir espaço para um debate ainda presente no cenário mundial)

3 comentários:

  1. E importante saber que minha mae e mechicano entao minhas ideas sobre a tema vao ser diferentes do tipico americano.
    Eu acho que voce tentando de comparar o muro do Berlin con a parede dos EUA entre ele e mechico. E uma comparacao valida.
    Eu vejo a hypocrasia de meu pais em dizer a Russia tire esse muro e dez, vinte anos depois ele consturie uma parede mesmo, causando muito morte. Tambem pode ser uma inferencia de como EUA olha para vcs Americanos dos paises Latino Americanos. Mas acho que mais que nada o constucao da parede e um acto de racismo sobre outros grupos de gente escondida entre a protecao economica de EUA.

    Desculpa por meu fraco portuguese mas espero que vc entende.

    Russell

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  2. Esclarecendo: Conheci Russell em Cachoeira-BA, quando ele junto com um grupo de estudantes de da Universidade de Washington-DC visitavam o Brasil. O trabalho de intercâmbio cultural foi realizado pela Universidade Federal do Reconcavo da Bahia e durou cerca de uma semana.

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  3. É, concordo com você. Não adianta o mundo celebrar com vigor se tem um muro bem mais explícito, abaixo de nossos narizes, separando dois povos (norte-americanos e latinos), agravando as diferenças sociais, o racismo, e ainda mais o preconceito. Não adianta taparmos o sol com a peneira se existe um problema desses em pleno séc. XXI, onde lutamos a favor de uma sociedade sem preconceito e totalmente igualitária. Vale ressaltar que é a maior burocracia para entrar nos EUA, mesmo de forma legal. Que exemplo os EUA passa para o mundo? Nenhum!

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