23 de abr de 2010

Banditismo por uma questão de classe?

Creio eu que se o saudoso Science soube, onde quer que ele esteja, da nota divulgada pela Previdência Social, percebeu que a mensagem de sua múscia tão emblemática hoje não faz mais tamanho sentido com relação à criminalidade no Brasil. O fato é que apartir de 1º de janeiro de 2010 todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa de R$798,30 por filho para sustentar a família, já que o encarceirado não pode [supostamente] trabalhar para sustentar os filhos por estar [supostamente] preso. Isso é mais do que o salário de uma família de classe baixa somado aos benefícios concedidos para os filhos – Bolsa Escola e Bolsa Família – pelo atual governo.

Traduzindo: um bandido com cinco filhos, além de comandar o crime de dentro das prisões, comer e beber a custa dos impostos do povo e não passar pelo devido processo de reabilitação para a reinteração na sociedade civil, que seria papel importantíssimo do Estado, ainda tem direito a receber Auxílio Reclusão de R$3.991,50 da Previdência Social, que, aliás, sofre duras críticas que se pronunciam inclusive quanto à sua falência.

Qual pai ou mãe de família com 5 filhos ou mesmo um operário de posto médio-baixo que trabalhou e contribuiu a vida inteira, recebe um salário igual? Mesmo que esse projeto seja um auxílio temporário – caráter que já provou ineficácia no Brasil, haja vista que não se estipulam prasos de encerramento destes benefícios e a grana corre solta a la CPMF – isto é um incentivo a criminalidade do nosso país e uma afronta de tamanha grandeza à honra dos cidadãos de bem. E se é que no fim das contas esse dinheiro será mesmo revertido para os presos, e não para os mega-saturados cofres particulares dos paraísos fiscais. Confira tudo que foi aqui dito, vírgula por vírgula, no site da Previdência Social. Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS e tome agora suas medidas. Cabeças-pensantes, usem suas vozes, enviem mensagens para os editoriais dos veículos de comunicação mais próximos ou mesmo para os grandes veículos que ainda presam pelo mínimo de ética e compromisso social neste país e comuniquem sua idiguinação. Ou continue aí de braços cruzados, tal como vem mandando a cartilha da "brava gente brasileira": comendo alpiste e dizendo "amém".

Fazer nada é, sem dúvida, a pior das opções!

por
Toni Caldas

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