26 de jun de 2010

Mais que mulher

Ela vinha, loira, deslumbrante, em passos ágeis e esguios por entre as veredas dos coqueiros sinuosos e verdejantes do meu quintal. Vinha, negra, mística, volumosa, dançante, galopando em sílabas, lambendo minha face áspera, degustando do tempero que a maresia de uma praia qualquer, fruto do meu imaginário, provocara.

Vindo, me dava de beber do néctar cravoso que brotava gotejante de tua boca, falante em saborosas e ultramorfológicas sintaxes perfeitas. Voltando, vestia sua sedosa e alva capa, soltava ao vento pagão seus cabelos, pintava de azul anil os olhos de cristal, selava as fivelas das sandálias áureas que envolviam seus pés repletos de segredo que agora caminham pra longe de mim...

Toni Caldas

Um comentário:

  1. Musas são sempre seres superiores às mulheres não é?! Especialmente essa milimetricamente descrita num céu de possibilidades e imaginações. Muito bom o texto Tonii!

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