29 de nov de 2010

Andanças, danças e mudanças

Calor. Mormaço insuportável que derretia a mente, fazendo-a escorrer pelos olhos, ouvidos e narinas. Debruçava o rosto sobre o braço esquerdo apoiado na mesa suja. O dia ainda precisava de cerca de quatorze horas pra se por fim, e ela já não aguentava esperar ali, sob o sol castigante, pelo amado homem. Lá fora a banda arrastava uma multidão de famintos, todos sedentos de línguas, bundas e muita cerveja.

Os pierrôs molhados de suor, colombinas desbotando em meio ao nó-humano ao som dos metais em sopro incessante. O embalo arrastava casais, bêbados, policiais e malandros que se faziam iguais perante os pés da pequena capela no alto da colina. Quem eram aquelas criaturas mascaradas? Quem são agora que estão mascarados?

Deus e o Diabo presentes, uma coisa só, contemplando ambos suas invenções em uma harmonia que nem mesmo os celestiais cogitaram existir. Grandes cabeças, fantasias, cotovelos que abriam caminho, gritos e gargalhadas que rasgavam a madrugada da cidade e aquela, que já não aguentava esperar ali, sob o sol castigante, pelo amado homem, seguiu o cortejo...

Toni Caldas

Um comentário:

  1. excelente texto!

    Bom, muito bom, deveras interessante!

    Parabéns, garoto!

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