17 de abr de 2011

Cinco de outubro

Rodopiava dançando, cantava as nuances do seu vestido colorido. Assumia à sua alma o que ela tinha de infantil, liberta e capaz de desatar o nó sufocante no qual, de quando em quando, se via embaraçada.

Nada mais era que um simples pedaço de tecido em cores diferentes, costuradas com afeto, como se tivesse sido feito na medida para seu corpo, um caimento perfeito, um traço que negava qualquer outra textura que não fosse a da sua pele morena.

O peso das sandálias, do cuidado quase excessivo – ou seria mesmo excessivo? – e de toda aquela atenção necessária para sua sobrevivência em família nunca anunciaram, mas um dia lhes faria falta.

Certa feita ela lembrou. Quando se viu estava longe demais, seu peso já havia sido dispersado, queria poder desejar de volta o que sempre se negou a ter prazer.

Mas o vestido colorido lhe tomou corpo, a liberdade agora era ela, sua pele agora eram as listras coloridas. Agora era hora de voar. Seu ninho teria que ser construído na viagem, e quem sabe levado em alguma sacola.

Toni Caldas

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