3 de jun de 2011

Um capitão e seu navio pirata de boas piadas

Desde os primórdios, os nobres navegantes temiam a ação de bandos de saqueadores armados que tomavam as riquezas de seus navios. Você já deve saber que estamos falando da Pirataria. De lá pra cá, as ondas e as armas mudaram: a frequência agora é sonora, mas a linha nobre ainda continua vendo a Pirataria com maus olhos – prova disso é o título que a prática recebe.

As feiras populares, esquinas e camelôs estão tomados por estes vendedores, tidos como foras-da-lei modernos. Em Aracaju, um desses sujeitos resolveu então içar velas e levar seu navio pirata pelas ruas, anunciando sua chegada em alto e bom som.

Carlos Alberto é um vendedor de CDs que há seis anos atua no mercado dos discos piratas de piadas nordestinas. Mas sua atividade não se limita a capital sergipana. “Recife, Natal, Salvador, Fortaleza e outras cidades também do interior. Todas essas eu já passei vendendo esses CDs”.

Vestido à vontade – de bermudão, regada e chinelo – e munido de dezenas cópias, uma caixa de som amplificada, um carro de mão, ele transita pelas principais vias das cidades onde passa e conta que tem sucesso em suas vendas – o que, ironicamente, lembra um navio pirata com seu canhão, artilharia e capitão no comando do curso.

Segundo ele, a média de vendas fica em torno dos 120 e 150 discos nos dias de bom movimento. O preço de cada um? “Dois mirêis”, ele responde. O repertório é escolhido por ele mesmo, que tem inclusive uma lista dos mais pedidos. “Trabalho principalmente com Belo Beleza, Zé Lezin, Mução, Tonho dos Couros, Caju e Castanha, Caçarola. Todos esses já famosos até na televisão”.

Carlos Alberto conta com humor que lida com a ilegalidade há tempos. Antes de vender CDs piratas era supervisor do Jogo do Bicho, mas deixou de lado quando descobriu seu atual ofício. “Não tenho dúvidas que esse é o melhor trabalho do mundo. Sou feliz assim, rindo e fazendo o povo rir com os discos de piadas da nossa terra”.

Toni Caldas

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