20 de nov de 2011

Olhos coloridos

"Não são os prédios que estão caindo, são as nuvens caminhando". Tinha apenas oito anos quando a impressão que já me intrigava foi desvendada sob a voz de Amanda, segurando minha mão. Permanecemos observando a vida das nuvens por horas. Era um dia nublado, muitas delas transitavam, circulares, e imaginávamos o que seriam, porque tinham suas formas, como o que pareciam, para onde iriam... "Elas voltam amanhã?". Amanda era mais velha, tinha 10 anos, e sempre ria do que eu questionava – ela acabara de perder os pré-molares de leite e eu tinha meu primeiro dente amolecendo tardio.

Naquele dia desenhamos um imenso Sol por toda calçada em frente ao antigo sobrado abandonado e ali ficamos, deitados no chão, no centro do nosso astro-rei. Era o maior que eu já havia desenhado, maior até que o real, que naquela época castigava menos nossos olhos voltados para o céu. Lembro dos cabelos louros de Amanda. Brilhavam quando a luz irradiava entre as nuvens e ela sempre me dizia que meus olhos mudavam de cor olhando para o céu – porém apenas ela me disse isso em toda minha vida. A chuva não veio. Nosso Sol permanece lá ainda hoje. Mas as nuvens já não caminham para lugar algum. É apenas disso que lembro...

Toni Caldas

2 comentários:

  1. Own, achei romântico... cadê Amanda?!

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  2. A los interesados,

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    Saludo a todos y buen día,
    Gustavo.

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