17 de jun de 2012

Da tarde em diante

Àquela hora já estava atrasado. Mesmo com os ponteiros de pulso adiantados, a demora era notável nos seus olhos baixos a procura de uma explicação. No canto do bar no Barbalho, esperava entre cigarros e cervejas, volta e meia observada pelo homem por trás do jornal da semana passada.

As lágrimas retidas nos olhos se omitiam nas mãos tremulas, que quase gritavam sua ansiedade e dor.
Os sapatos desbotados nada diziam sobre os caminhos por onde andou, mas os cabelos desgrenhados e a alça caída do vestido acusavam o desprezo.

De certo que ele costumava demorar, nunca telefonava e nem sequer pedia desculpas. Seus ouvidos eram sedentos de qualquer aviso, um alerta, mesmo uma mentira. Eram assim todas as tardes, antes de Ana decidir nunca mais chorar por homem algum...

Toni Caldas

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